Síndrome Compartimental

450px-Fasciotomy_leg (1) O corpo humano é dividido em compartimentos que abrigam nossos órgãos e separam os nossos músculos. A síndrome compartimental é definida pelo aumento da pressão de um compartimento osseofascial que pode ocorrer nos MMII ou MMSS. Ela pode ser dividida em síndrome compartimental aguda (SCA), por esforço agudo (SCEA) e crônica (SCC). A SCA acontece geralmente devido a trauma direto na região, causando dor, edema e de acordo com o estágio, o paciente já apresenta déficits sensoriais nas extremidades devido ao aumento da pressão, podendo já estar associado ao sofrimento tecidual e redução do fluxo sangüíneo, em alguns casos ocorre a interrupção desse fluxo. Por todas essas características, torna-se uma emergência médica e o tratamento é cirúrgico através do procedimento chamado fasciotomia. Na situação de SCEA não há trauma e sim esforços intensos, excesso de atividade física ou alteração na biomecânica do corpo favorecendo o aumento do esforço. O tratamento é, assim como na SCA, a fasciotomia.

A SCC é uma afecção pouco diagnosticada, mas está tendo um aumento no seu  número, talvez pelo aumento de praticantes de esportes. Conforme os outros subtipos, ela é caracterizada pelo aumento da pressão intracompartimental e gera quadro álgico no membro afetado. Mas ao contrário dos outros subtipos, a dor e o edema cessam gradualmente após a interrupção dos exercícios físicos. O tratamento nesse caso é conservador, mas se persistirem os sintomas a fasciotomia será considerada.
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Importância

É importante o conhecimento desse quadro visto que traumas diretos podem levar ao seu aparecimento. Nos hospitais com serviços de ortopedia e traumatologia, os pacientes com história de acidente automobilístico, principalmente, são operados e passam por atendimento fisioterapêutico nas enfermarias. O aumento da pressão, a possibilidade de sofrimento tecidual e até necrose em alguns casos, associado com o desconhecimento ou inexperiência do profissional pode piorar a situação. Algumas perguntas podem ajudar a nortear o tratamento:


  1. O paciente pode realizar movimentos ativos?
O exercício ativo é liberado após a diminuição da pressão intracompartimental, mas com ressalvas, não deve ser realizado logo após o procedimento cirúrgico. A movimentação do membro melhora o retorno venoso (exercício de bomba com elevação do membro), mas a utilização de cargas é vetada, pois pode gerar sangramento excessivo e aumento da pressão. A marcha deve ser realizada com o auxílio de muletas e carga zero pelos mesmos motivos.


  1. A Crioterapia é indicada?
É indicada nas extremidades longe da fasciotomia, mas de preferência deve ser utilizada pós-retirada dos pontos, principalmente com os membros elevados ajudando o retorno venoso e drenagem do edema.
O retorno às atividades é gradual e a prática de atividades esportivas pode demorar até 4 meses. A preocupação com as causas da SCC deve continuar mesmo após o tratamento, pois se tiver sido causada por alterações biomecânicas e sobrecargas desnecessárias, o acompanhamento fisioterapêutico deve focar tais pontos.

1 comentários:

Raquel 25 de março de 2012 06:59

Muito elucidativa esta postagem. Sou fisioterapeuta aqui em Vitória-ES e estou atendendo um paciente que teve um estiramento muscular jogando futebol e evoluiu para a síndrome compartimental. Infelizmente também apresentou necrose de uma boa parte do músculo tibial e perdeu os movimentos de dorsiflexão e eversão.
Estamos batalhando para que dê tudo certo.

 
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