Síndrome Fêmoro-Patelar (SFP)

image A dor na região anterior do joelho, incômodos ao se agachar ou subir escadas e a extenuante tarefa de, às vezes, ter de administrar o quadro álgico para os entusiastas da vida esportiva, são comuns aos pacientes que possuem a Síndrome Fêmoro-patelar (SFP). Talvez a grande dificuldade dos profissionais de saúde seja o diagnóstico preciso, a grande parte deles se resume ao enfraquecimento da musculatura extensora do joelho, o desequilíbrio muscular.

A patela é um osso sesamóide que sofre a ação de diversas forças em vários sentidos e a desorganização dessas forças é uma das causas da SFP. Mas simplificar o diagnóstico é negligenciar o problema. A visão global é o ponto de partida, visualizar a possibilidade de influências ascendentes e descendentes na organização postural é meio caminho andado para o sucesso no tratamento. Aumento no ângulo Q, rotação da tíbia, encurtamento do retináculo lateral, dos ísquiotibiais e do trato iliotibial, são fatores que podem levar à síndrome. Mas é importante lembrar que algumas alterações anatômicas podem estar presentes como a significante redução anterior do côndilo lateral do joelho, que ajuda a manter a patela centralizada e a diminuição do sustentáculo do Tálus. Tais alterações anatômicas reduzem a eficiência, mas não a importância do tratamento fisioterapêutico. Alterações no grau de anteversão femoral e no ângulo da diáfise colo-femoral, por exemplo, indicam um tratamento associado a uma manutenção por muitos anos e comprometimento do paciente com a sua situação. O encaminhamento entre profissionais médicos, fisioterapeutas e educadores físicos é fator determinante para um bom desfecho.

Tróclea rasa

Na última década muitos estudos sobre as causas da SFP apresentaram outras possibilidades. Diminuíram a importância da hipertrofia a qualquer custo do vasto-medial e apresentaram as influências da musculatura do MMII como um todo. O valgo dinâmico do joelho ocasionado pela fraqueza dos rotadores externos do quadril ganhou a atenção dos pesquisadores pelo fato aumentar a medialização do joelho, indo a favor da tendência de lateralização patelar. Outro ponto importante é a pronação excessiva do pé (pé plano) que gera rotação interna da tíbia e potencializa a lateralização patelar. Um fator importante pode ser a insuficiência do músculo tibial posterior e a redução de tamanho do sustentáculo do tálus favorecendo esse quadro.

O conhecimento de todas essas possibilidades e fatores desencadeantes é a chave para o sucesso no tratamento. Trabalhar isoladamente a musculatura do joelho deve cair em desuso, visto a grande necessidade de atenção aos grupos musculares do quadril, da perna e tornozelo/pé. A visão global do corpo e, nesse caso, do membro inferior juntamente com a multidisciplinaridade que deve envolver o tratamento levarão ao melhor resultado.

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